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Gerenciamento de resíduos: queimar é a solução?

Preocupados com a questão da vida útil dos aterros sanitários e a nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, muitos municípios estão estudando alternativas para gerenciar seus resíduos. Entretanto, há um movimento que considero preocupante e precipitado no meio disso tudo. Muitos municípios estão pensando seriamente em instalar usinas termelétricas.

É um assunto delicado. Pressionadas pelo prazo para implantar as providências exigidas pela PNRS, muitas cidades estão abrindo consultas públicas e concorrências para a instalação de termelétricas. Especialistas, no entanto, afirmam que há alternativas viáveis e não poluentes que permitem uma redução do uso de recursos naturais e da quantidade de lixo gerado. Mas são medidas que exigem vontade política, além de uma visão de mundo ainda pouco difundida.

Os defensores das termelétricas dizem que o processo é seguro e, de quebra, gera energia. Basta instalar os filtros adequados para que não haja impacto sobre a saúde da população. Na prática, no entanto, a história parece ser um pouco diferente. A queima de lixo resulta na emissão de metais pesados altamente tóxicos mesmo em baixas concentrações. No processo de queima, minúsculas partículas são geradas, e mesmo os filtros mais modernos não dão conta de filtrá-las, de modo que elas acabam sendo liberadas no ar que respiramos, causando sérios problemas de saúde. Preocupados com esses impactos, médicos europeus lutam para que sejam realizados estudos mais detalhados.

 E, enquanto não se tem uma medida dos impactos reais dessa forma de gestão dos resíduos sólidos, a solução mais inteligente seria adotar uma estratégia de prevenção, redução da geração de lixo, reutilização e reciclagem. Queimar o lixo, no momento, parece ser o caminho mais rápido e fácil para o velho dilema do que fazer com o lixo, agora que já sabemos que o conceito de “jogar fora” não existe, já que só temos este planeta, e é nele que jogamos o lixo, mesmo que, para muitos, ainda baste estar longe dos olhos para que pareça que o problema não existe. As termelétricas podem representar um avanço em sociedades onde a geração de energia é baseada, em grande parte, na queima de carvão, altamente poluente; felizmente, este não é o caso do Brasil.

 Eu acredito que, neste momento, o caminho mais seguro e sensato envolva o aperfeiçoamento da coleta seletiva, o estímulo à compostagem caseira, o desenvolvimento de produtos e embalagens mais eficientes, duradouros, retornáveis e menos impactantes, bem como a redução do uso de materiais descartáveis.

Recomendo uma olhada nos sites http://www.incineradornao.net e http://en.wikipedia.org/wiki/Incineration para mais informações sobre a queima de lixo para a geração de energia. E, se você concorda que precisamos saber mais e que há muito a ser feito antes que se opte por essa alternativa, assine o manifesto contra a incineração.

2 Comments

  1. Gerenciamento de resíduos: queimar é a solução? Assine manifesto contra a incineração http://ow.ly/6gn8n

  2. Clovis Akira says:

    Silvia, morei mais de 10 anos no Japão, e todas as usinas de tratamento de lixo, procedem da maneira que citei no blog. Os filtros catalizadores instalados nos incineradores são muito eficazes, não gerando qualquer tipo de metais pesados. Na cidade onde eu morava, essa usina ficava próximo de áreas residenciais, as casa próximas, ficavam a 2 quarteirões da usina, e ficava próximo a praia, menos de 3 km, o trafego de veículos era intenso, eu mesmo passava em frente a usina sempre e nunca notei nenhum tipo de emissão de gases poluentes, por diversas vezes entrei na usina para me desfazer de moveis grandes. Não tenho informação de como é o sistema de incineração de outros países, mas posso te garantir que no Japão o processo é feito de forma correta respeitando as normas do meio ambiente.
    Espero ter contribuído de alguma forma.

    Obrigado por nos prestigiar
    Um abraço
    Clovis