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Meio ambiente no Brasil: a pauta política esquecida

cop20

Em dezembro teremos a 20º Conferência das Partes (COP20) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), em Lima/Peru.

Dos protocolos resultantes da CQNUMC, o mais conhecido  – e também o menos cumprido, é o Protocolo de Kyoto sobre redução dos gases de efeito estufa (GEE).

Diversos temas serão tratados:

A importância da conferência de Lima é colocar as questões na mesa para a conferência climática de 2015 em Paris”, que deve terminar com um acordo final, declarou Anne Larson, cientista do Centro Internacional de Pesquisas Florestais (CIFOR). Essas questões incluem direitos da terra para comunidades florestais e povos indígenas, ligações entre florestas e agricultura, e avanço no progresso feito na conferência climática de 2013 em Varsóvia sobre a redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD+)” (Fonte: Instituto Carbono Brasil)

Apesar de estarmos em fase pré-campanha eleitoral, vislumbra-se que o tema ambiental não deverá ser mais do que alguns parágrafos padrão nos programas dos candidatos e partidos. Até mesmo pela característica peculiar das eleições em 2014, que apresenta um quadro de possível reeleição da atual presidenta, o que fará completar um período de 16 anos de uma política no poder, com a consequente “batalha” do polo oposicionista para impedir a hipótese.

Teremos, ao que tudo indica, duas pautas apenas: a política e a social, por um lado, e a política e a econômica, por outro. Em ambos os casos, questões como as apontadas “direitos da terra para comunidades florestais e povos indígenas, ligações entre florestas e agricultura, REDD+ passarão batidas nos palanques, assim como muitas outras questões importantes, como a mobilidade urbana, questão central, hoje, nas grandes cidades que viram, em função de um modelo (política) de desenvolvimento adotado, suas ruas entupidas de automóveis poluidores.

Mais uma vez perderemos a oportunidade; mais uma vez a pauta do modelo de desenvolvimento fica para um plano que, sabemos, sempre será o último.

É nosso dever trazer ao debate político essa pauta esquecida! E assim faremo aqui no Faça a sua parte!

Como fazer o sabão caseiro corretamente

Tentou fazer sabão em casa e não deu certo? Quer saber o que saiu errado? Nest post, trazemos algumas dicas a fim de auxiliar os leitores que nos escrevem com dúvidas sobre como fazer o sabão caseiro corretamente.

Se você também deseja dar um destino mais ecológico ao óleo de cozinha usado nas frituras em sua casa, acompanhe-nos.

A melhor receita

Recomendo sempre a receita de sabão caseiro testada mais recentemente. Entretanto, há outras opções, listadas na página central de meu Projeto Sabão Ecológico Caseiro, onde você pode escolher a receita mais adequada a sua necessidade.

receita sabão

O importante, seja qual for a receita escolhida, éseguir as medidas dos ingredientes à risca. Uma receita básica, para quem, como eu, não junta grandes quantidades de óleo (fazer pouca fritura, certo?) é esta ao lado.

Se você utiliza uma proporção de  175 ml de água e  175  g  de soda cáustica para uma medida de 1 litro de óleo, não tem erro. De acordo com a quantidade de óleo, dobra-se a receita. Use um copo-medida que dá certo.

Água ou óleo em excesso comprometem o resultado. Filtrar o óleo previamente é importante para evitar pedacinhos de frituras no sabão. A soda cáustica bem dissolvida evita os cristaizinhos na mistura e, definitivamente, isto também não é legal.

Então, atenção nas medidas de água, óleo e soda cáustica, para evitar uma mistura que não se solidifica ou que  endurece demais. Seguir a receita é essencial para um sabão macio, porém firme, e homogêneo.

Ingredientes quentes ou frios

Há duas maneiras de se fazer o sabão. Com os ingredientes em temperatura ambiente ou aquecidos levemente. Caso vá aquecê-los, mantenha a água e o óleo, na mesma temperatura, preferencialmente morna, em torno de 60ºC.

Separadamente, deve-se dissolver a soda cáustica na água morna (ou fria) até que não haja mais nenhum cristalzinho. Use outro recipiente, caso vá aquecer o óleo. Depois, junta-se a solução de soda e óleo (fora do fogo, por favor!)  e mexe-se a mistura por aproximadamente 40 minutos, até ficar cremoso.

O ponto ideal da mistura

Para saber se o sabão já está pronto, basta observar sua consistência. Misturar bem, com uma colher de pau ou cabo de vassoura, por cerca de quarenta minutos é importante para se chegar ao ponto desejado.

sabão fase finalO segredo é misturar bem os ingredientes. Não adianta ficar com preguiça. Após os 40 minutos mexendo,  a mistura fica parecendo um mingau caramelado. Este é o ponto certo.

Está na hora de despejá-la nas formas de silicone ou caixa tetra pak. Se preferir, utilize uma forma grande para cortar, depois que a mistura endurecer, os pedaços de sabão do tamanho que preferir.

Despeje o sabão, ainda cremoso, nas formas. Espere esfriar e endurecer (cerca de um dia), antes de cortá-lo. Lembre-se de que o sabão só estará pronto para uso após uma semana. Depois de cortá-lo, deixe-o descansar em um lugar arejado e aguarde.

Com aroma ou neutro

Prefiro usar o sabão caseiro sem nenhum perfume, pois se destina à limpeza de louças, panelas, azulejos e superfícies da casa. Gosto de acrescentar 10 ml de detergente líquido ou sabão em pó, apenas para amenizar o cheiro do óleo. Também pode-se utilizar a mesma medida de amaciante de roupas. Se desejar acrescentar algum aroma a seu sabão, coloqueervas ou flores na receita básica original.

Para isto, basta fazer um chá com 250 g de ervas ou flores, na água em que irá dissolver a soda. Vale tudo: rosas, hortelã, maracujá, erva-doce, ou a que você preferir. Lembre-se de que o sabão feito com óleo usado não deve ser usado para banho de pessoas ou animais. Seu uso é restrito à limpeza caseira e a de objetos.

Mais alguma dúvida ou sugestão? Compartilhe-a conosco!

A morte definitiva da agricultura familiar

Transgenicos-terminator

Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei n.º 268/2007, de autoria do deputado Eduardo Sciarra (PSD/PR):

Art. 1º O inciso VII e o parágrafo único do art. 6º e o caput do art. 28 da Lei nº 11.105, de 24 de março de 2005, passam a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 6º……………………………………………………………………………………………………………………………..

VII – a comercialização de sementes que contenham tecnologias genéticas de restrição de uso de variedade, salvo quando se tratar de sementes de plantas biorreatores;

Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, tecnologias genéticas de restrição de uso de variedade são mecanismos moleculares induzidos em plantas geneticamente modificadas para a produção de sementes estéreis sob condições específicas.

Art. 2º Comercializar sementes que não sejam de plantas biorreatores e que contenham tecnologias genéticas de restrição de uso de variedade:

Pena – reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.”

Art. 2º O artigo 3º da Lei nº 11.105, de 24 de março de 2005, passa a vigorar acrescido do seguinte inciso:

XI – Biorreatores: organismos geneticamente modificados para produzirem proteínas ou substâncias destinadas, principalmente, ao uso terapêutico ou industrial.

Art. 3º Revogam-se os artigos 11 e 12 da Lei nº 10.814, de 15 de dezembro de 2003.

As leis citadas, 11.505/2005 e 10.814/2003, são, respectivamente, a lei que “estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados – OGM e seus derivados, cria o Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS, reestrutura a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, dispõe sobre a Política Nacional de Biossegurança – PNB” e “Estabelece normas para o plantio e comercialização da produção de soja geneticamente modificada da safra de 2004, e dá outras providências”.

A leitura da “justificativa” é imprescindível para a compreensão do que está sendo proposto.

Para quem sabe ler entrelinhas, a Monsanto diz que “É verdade que as GURTs [Tecnologia de Restrição no Uso do Gene, ou as chamadas sementes “Terminator”, as estéreis, ou como chama o PL 268, as que tenham “restrição de uso de variedade”] oferecem certos benefícios. Essa tecnologia pode ser usada para limitar o uso ou propagação de um material genético específico na agricultura. Por exemplo, criadores de tecnologia podem investir em características benéficas e utilizar as GURT para garantir que características específicas sejam disponibilizadas apenas para produtores que desejem pagar e utilizá-las.” (leia aqui o texto da Monsanto)

A Monsanto admite a preocupação, ao dizer que “muitos expressaram preocupação de que as sementes estéreis pudessem representar uma ameaça à sobrevivência de pequenos agricultores em países em desenvolvimento, pois há séculos, esses produtores têm salvado sementes para cultivar na próxima safra.”

Eis a questão: quem adotar esse tipo de semente (e quem não irá, diante do fato de que ate para conseguir algum tipo de financiamento o produtor deve se sujeitar às exigências do sistema, dentre elas a de que compre sementes transgênicas?) se tornará eterno dependente da Monsanto (ou outros fabricantes).

A sustentabilidade que boa parte da agricultura familiar (e orgânica) consegue provém justamente da possibilidade de obter sementes da safra que está sendo colhida.

Isso será a morte definitiva da agricultura familiar.

O site “BAN TERMINATOR” é claro quando diz:

Por que Isso é um Problema?

Mais de 1,4 bilhão de pessoas, principalmente famílias de pequenos agricultores, no mundo em desenvolvimento, têm como fonte principal de sementes as guardadas de seus próprios cultivos. As sementes Terminator forçarão à dependência de fontes externas e quebrarão com as práticas de troca de sementes dos povos locais e indígenas, bem como com a prática milenar de seleção e reprodução efetuada pelos agricultores – a base para a segurança local de disponibilidade de sementes.

Se o Terminator for comercializado, a esterilidade das sementes será, provavelmente, incorporada em todas as plantas GM. Isso porque a esterilidade das sementes permite um monopólio muito mais forte do que as patentes; ao contrário das patentes, não há data de expiração, nenhuma exceção para os melhoristas e nem necessidade de advogados.”

É mais um daqueles projetos que vão tramitando “quietinhos” no Congresso.

Alimentos processados são feitos para cérebros processados.

salsicha

Atire a primeira pedra quem não gosta de salsicha. Sejamos francos: de qualquer embutido.

Dez por cento de eufemismo e noventa daquela aula de química que todo mundo matou. O eufemismo fica por conta do “carnes mecanicamente separadas”. As aulas, pela quantidade de “aditivos’ químicos adicionados para dar cor, sabor, cheiro, textura e que ninguém sabe o que significa… Ou seja, para dar aos sentidos humanos tudo o que ele precisa para apreciar embutidos. E comprar… E dar para as crianças que detestam espinafre, rúcula, abóbora, couve, chuchu, bife de fígado, cenoura, beterraba, alface, agrião… Não cabe, aqui, a quantidade de coisas que não trocaria a minha salsicha por elas…

Podem perguntar: o que tudo isso tem a ver com o meio ambiente? Como diria a grande defensora dos embutidos, “tudo a ver”!

Embutidos industrializados são a antítese da “filosofia” natural de viver.

Embutidos industrializados são a forma rápida de se alimentar. A natureza não privilegia o tempo como forma de se alimentar.

Embutidos industrializados são a forma, por excelência, do consumismo. A natureza privilegia a existência da vida. A natureza supre a necessidade, humanos a vontade criada pela propaganda.

Gostar e consumir embutidos industrializados, na realidade, é ser um ser que foi formado para aceitar com naturalidade que a destruição da natureza é algo natural.

Considerando a dita melhor técnica de escrever, a frase anterior é péssima, mas diz tudo.

Ela quer dizer, no fundo, que nossos cérebros também são processados. E processados para processar os cérebros dos nossos filhos.

E assim processamos nossos filhos para que se alimentem de embutidos industrializados. E para terem uma vida pensando que destruir a natureza é a mesma coisa que comer uma salsicha…

Turista: não alimente os animais silvestres

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Quando a gente, Felícia da vida, vê aquele animalzinho bonitinho ou gracinha de tão feinho tem vontade de apertar, passar a mão ou de perguntar, “quer ser meu amigo”? Mas resista à tentação! Se você gosta mesmo dele, tem que deixá-lo livre em sua natureza. Caso contrário, pode prejudicar aquele que diz que ama. Um exemplo é o problema com as raposas (Pseudalopex culpeus) da Patagônia que eu pude ver com meus próprios olhos, graças a um brasileiro.

Chegando ao Parque Nacional da Terra do Fogo, no Ushuaia, um brasileiro bagunceiro – pleonasmo – ficou mais animado ainda ao ver uma raposa se aproximando da vã que parava. Quando descemos do veículo, todos soltamos ao mesmo tempo: “Que lindinha!”. Foi um alvoroço geral. Todos queriam tirar foto da raposa e vê-la de pertinho. Ela se aproximou de nós, menos de dois metros de distância. Nesse momento, o brasileiro não se conteve. Abaixou, esticou o braço e tentou passar a mão na cabeça do bicho. A raposa em um piscar de olhos deu uma mordida na mão dele. Fiquei preocupada, mas ele disse ao amigo: “não foi nada”. Passada mais de uma hora, ouvimos um amigo exclamar: “Nossa, ficou feio”.

Elas são muito, mas muuuito lindinhas – saiba mais sobre essa espécie aqui. Têm um olhar e andar de gato – aliás, li em algum lugar que as raposas em geral são parentes mais próximas de gato que de cachorro, alguém saberia dizer se a informação procede? As raposas ou zorro, como as chamam os hermanos, parecem dóceis. Além disso, é comum elas chegarem perto de pessoas nos parques, principalmente, da Argentina como aconteceu conosco. Por que será?

Simples, porque as pessoas as alimentam. Para que caçar se você pode ganhar? Ou roubar um churrasquinho suculento? Quando nós alimentamos os animais silvestres causamos uma série de problemas. Resumindo, eles “desaprendem” a caçar, podem passar mal com a nossa comida, desenvolver uma doença e infectar outros semelhantes. Também, essa ação pode causar um desequilíbrio no ecossistema local, afinal, as raposas deixarão de comer suas caças que, consequentemente, poderão se multiplicar. Para piorar, as lindas raposas podem ficar agressivas contra os humanos. Não duvide, vão morder para conseguir comida ou quando se sentirem ameaçadas.

Como destruir vários ambientes com espécies invasoras

IMG_1848-1024x576Duas ideias de jerico. Na realidade, três se formos falar sobre as ovelhas, mas esta fica para outro post. Quem visita o Parque Nacional da Terra do Fogo, em Ushuaia, Argentina, pode observar o trabalho de castores canadenses fazendo suas represas. Sim, esses bichos são geniais, derrubam árvores para conter água. Acontece que, como deve ter reparado, eles são canadenses! E o que fazem do lado oposto do continente? E por que as lebres-europeias, provenientes do outro lado do Atlântico, também podem ser vistas ao lado deles no Fim do Mundo?

Bem, resumindo a história que você pode saber mais aqui, os castores foram introduzidos na região em 1946 pela indústria da pele. Sem predadores naturais, os 25 pares se transformaram em 100 mil indivíduos! Um problema para a bicharada local, que tem que competir por espaço e comida com eles, e para as árvores. Estas são derrubadas sem tempo de recomporem bosques, agora, no chão. Quer dizer, na água.

Por sua vez, as lebres-europeias foram colocadas na Patagônia para serem caçadas pelos homens. Isso mesmo, como um instrumento esportivo. Mas elas foram longe… Atualmente, podem ser encontradas aqui no estado de São Paulo comendo plantações! O caso da lebre-europeia é tão sério, que ela está causando a extinção da lebre-da-patagôniaEsta é rara de ser observada. Agora, a outra, eu mesma vi do ônibus dentro do Parque Nacional Los Glaciares, onde está o famoso glaciar Perito Moreno (Argentina). Aliás, há alguns anos, creio que foi ela que observei no Paraná. Para você ver como a ação humana sobre os animais pode causar um estrago continental.

Obs.: Estou fazendo uma série de posts sobre o meio ambiente e a ciência relacionados à Patagônia. Se pretende viajar para lá ou quer saber um pouco mais sobre o nosso continente, eis a chance!

O mar está para tubarão

Em alguns lugares, como o Recife, aqui no Brasil, estatísticas e notícias registram casos de turistas que, alheios aos avisos da presença desses animais, preferiram curtir a praia dentro da água e foram atacados por tubarões.

Não queremos culpar as vítimas pelos ataques, absolutamente; apenas ressaltar como é evidente que sabemos muito pouco sobre a mudança de comportamento dos tubarões nestas áreas de risco, e que campanhas de conscientização precisam ser mais intensamente divulgadas nestas regiões onde se registram ataques de tubarões.

100 milhões de tubarões são mortos por ano

O tubarão é um dos animais mais temidos do planeta. No entanto, a probabilidade de um ser humano ser atacado por um deles é relativamente pequena. Cem milhões de tubarões são mortos por humanos a cada ano. O tubarão tem um papel fundamental no ecossistema marinho e na natureza e é importantíssimo que as pessoas não o considerem um vilão.

O tubarão não é um comedor de gente, mas mordedor. Pela falta de alimento, ele pode estar procurando outros tipos de presa e confundindo o homem com uma delas. Entender as causas dos ataques serve, dentre outras coisas, para mostrar que ele não é o vilão do mar, como o imaginário popular construiu ao longo dos anos.”  – Otto Gadig, biólogo e professor da Universidade Estadual Paulista -Unesp ( leia mais)

Nossa querida bióloga  Lucia Malla, apaixonada por tubarões, animais  que considera “evolutivamente magnânimos e que vêm sendo dizimados por motivos desanimadores”,  já demonstrava, em 2006,  neste post: “Os tubarões de Recife“,  a preocupação com que mais pessoas passassem a entender a grande problemática ambiental que envolve o assunto dos ataques naquela região do Brasil.

LuciaMalla mergulhando com tubarões

Lucia lembra que, há cerca de 40 anos, eram raros os ataques de tubarão em Recife. Eles habitavam mais ao sul, em uma região costeira de manguezais, ideal para sua reprodução. Com a construção do Porto de Suape, em Pernambuco, destruiu-se o referido manguezal, e, com o hábitat destruído, os tubarões passaram a nadar mais ao norte , justamente onde está Recife, por suas águas mais quentes e com mais possibilidade de encontrarem alimentos.

Humanos não são parte da dieta de tubarões. Em geral, os ataques são reflexo de uma “petiscada” que o bicho dá em algo se movimentando na superfície da água que ele quer saber se é alimento. – Lucia Malla (Leia mais)

Quando o meio ambiente não é degradado e está equilibrado, os ataques não acontecem. Em muitos lugares, como Fernando de Noronha, por exemplo, os tubarões e seres humanos convivem em relativa harmonia: eles no mar, e as pessoas, na praia. Segundo Léo Veras, engenheiro de pesca e pesquisador de tubarões, não há registro de ataques  de tubarão a humanos, porque existe algo como “um sensato acordo de paz”.

É necessário que tratemos deste assunto com mais clareza sobre os perigos de um ataque, para as pessoas se conscientizarem de que, ao entrar no mar, a “casa” dos tubarões, correm risco de serem confundidas com alimentos destes animais. Talvez por falta de informação a respeito dos hábitos destes animais em águas turvas ou de não levarem tão a sério tais informações.

É ainda importante que, nesses locais onde se verificam maior presença de tubarões, os primeiros socorros  sejam mais eficientes, com linha direta IMEDIATA com o pessoal de emergência, com helicópteros para levar a vítima ao hospital mais rapidamente.

Os equipamentos dos salva-vidas nas praias precisam ser mais eficazes, com certeza, porém, acima de tudo, é urgente que haja mais educação ambiental por parte dos turistas e frequentadores dos locais perigosos, não apenas com placas de advertência, mas com informações detalhadas quanto aos hábitos destes animais e quanto ao nosso comportamento nestas áreas.

Sempre é bom lembrar que o mar é o lar natural dos tubarões. Nós somos as visitas e devemos respeitar o território deles. Temos muito a aprender ainda:

Deveríamos entrar no mar sabendo que atitudes de respeito e informação são fundamentais para a boa convivência entre nós, humanos, e os demais “donos” daquela casa. Com uma postura assim, é menor a probabilidade de acidentes acontecerem.(Lucia Malla)

 Afinal, o mar está para tubarão! Estes lindos.

 

Cubinhos orgânicos congelados

Uma dica bacana que a menina do dedo verde, Carol Costa,  nos dá neste podcast – Truque esperto para aproveitar ervas frescas, é simplesmente  excelente. Como é possível conservar os temperinhos e ervas frescas e evitar o desperdício quando a gente os compra em excesso?

cubinho de manjericão geloO pé de manjericão, da hortinha da varanda de meu apartamento, estava realmente precisando de uma poda, e eu não estava dando conta de fazer tantos chás e temperos com a quantidade de  folhinhas dele. Até tentei, certa vez, secá-las ao sol para usar como tempero seco, mas a maioria apodreceu. Esta dica da Carol resolveu isto. Vejam só que bacana: usar as ervas para  fazer cubinhos orgânicos de ervas frescas congelados!

Seguindo os passos que Carol cita no podcast, retirei quase todas as folhinhas do pé de manjericão de minha hortinha de varanda. Na verdade, deveria colhê-las todas, mas eu queria fazer a experiência antes, hehe.

manjericao na forma

Piquei as folhinhas do manjericão (a Carol deixa-as inteirinhas mesmo)  e coloquei um punhadinho,  em cada cubo da bandeja de gelo. Completei com água, congelei e obtive meus cubinhos Knorr de manjericão prontos para uso!

manjericao na forma congeladoQualquer tempero pode ser congelado desta maneira: salsinha, cebolinha, hortelã, e até o alho poró, cortado em rodelinhas transformam-se em cubinhos para serem utilizados quando quisermos incrementar um prato.

Ao cozinhar, é só jogá-los, um ou mais cubinhos de ervas congeladas, dentro do molho,  ou do feijão, da sopa ou do prato que estivermos preparando. Delícia! O melhor: sem conservantes!

O manjericão, peladinho, após a poda, irá brotar novamente, segundo a Carol. Então, agora, vou retirar as folhinhas que ainda restam para fazer mais cubinhos de ervas congelados e deixar só os galhinhos no vaso. Então, é só esperar que ele floresça novamente e fazer novos cubinhos orgânicos.

pé manjericão pelado

Obrigada pela dica, Carol!

FALÁCIA

carro-onibus-bicicleta

Há uma grande falácia na imagem acima, propagada como solução para todos os males.

A uma, se colocássemos todas as pessoas que andam de automóvel para andar de ônibus, estaríamos simplesmente trocando o engarrafamento de automóveis pelo engarrafamento de ônibus. A imagem, maliciosamente, mostra apenas UM ônibus, mas não mostra quantos, no total, seriam necessários para a substituição proposta.

A duas, Não sei qual fábrica de bicicletas seria capaz de produzir 190 milhões de bicicletas em tão curto espaço de tempo, como a imagem parece fazer crer.

A três, não levam em consideração a realidade geográfica das cidades. Tomando Porto Alegre como exemplo, uma cidade que vive 8 meses do ano abaixo de mau tempo e com uma topografia 80% constituída de morros, não sei como alguém poderá voltar do trabalho de bicicleta “ladeira acima”. Descer é fácil, afinal, “pra baixo todo santo ajuda”. Quero ver é ter que subir a Protásio todos os dias depois de oito horas de trabalho, carregando a cria na garupa!

E seriam milhares as razões a apontar que quem pensa e divulga esse tipo “raso” de solução é gente que definitivamente não pensa a cidade.

Sem falar nos caminhões que fazem a entrega da Smart TV que todo mundo agora pode comprar… Ok! Da simples logística que mantém nosso reles afã consumista…

Há que ter clareza quanto ao que seja uma cidade. Não somos mais cidades de encontro de mercadores dos séculos XVII ou XVIII; sequer industriais empregadores de mão de obra barata dos séculos XIX e XX.

E, no entanto, continuamos a ser medievais ao resolver os problemas das nossas cidades…

Porto Alegre: de volta ao passado!

Árvore POA 02

O PASSADO DE EXEMPLO

O dia: 25 de fevereiro de 1975.

A hora: 11 horas da manhã.

O fato: Servidores da SMOV (Secretaria Municipal de Obras e Viação) chegam em frente à Faculdade de Direito (na Av. João Pessoa) para terminar de cortar as árvores que estavam “atrapalhando” a construção do viaduto Dona Leopoldina (um dos acessos). Por razões desconhecidas, deixaram uma última árvore para depois do almoço.

Nesse meio tempo, um estudante da Faculdade de Engenharia Eletrotécnica, Carlos Alberto Daryel subiu na árvore e fez história. Dois outros estudantes, Teresa Jardim e Marcos Saracol logo fizeram companhia para Carlos, evitando, assim, que a árvore fosse derrubada.

Naquela época, em plena ditadura civil-militar, o estrago estava feito. Batalhão de choque da Brigada Militar, transeuntes e estudantes transformaram a Av. João Pessoa numa praça de guerra.

Por interferência do Diretor da Faculdade de Engenharia, que negociou com as autoridades municipais, foi garantido aos estudantes que a árvore não seria cortada e que, portanto, eles poderiam descer. E assim fizeram e assim as autoridades honraram seu compromisso.

Sim, é a árvore da imagem acima. Está lá até hoje. E Carlos, em 1998, foi agraciado com o título de “Cidadão de Porto Alegre”.

Além do fato em si, o importante foi a mudança que ele causou em todos: tanto autoridades quanto os porto-alegrenses “acordaram” para a conservação do meio ambiente. Tanto que Porto Alegre se transformou na cidade brasileira de maior densidade de árvores por habitante do Brasil.

Porto Alegre, graças a essa consciência de conservação ambiental tem a que é considerada, em muitos lugares, como sendo a rua mais bonita do mundo.

goncalo-de-carvalho

Porto Alegre também foi a cidade que recebeu o 1º Fórum Social Mundial, onde “um novo mundo é possível”.

 

O PASSADO RECENTE E O PRESENTE QUE NOS ENVERGONHAM

O dia: 29 de maio de 2013.

A hora: de madrugada, às 4:00 da manhã.

O fato: Brigada Militar acorda acampados com algemas e, logo após, a prefeitura começa, ainda no escuro, a derrubar as árvores.

O motivo: a derrubada de árvores para o alargamento de uma via, obra tida como necessária para a mobilidade da Copa do Mundo de 2014.

Apenas trinta e oito anos nos separaram da barbárie. O local onde as árvores se encontravam está previsto, no Plano Diretor (isto é, em lei) para ser um parque. O Ministério Público tentou de todas as formas impedir a derrubada. Chegou a conseguir uma liminar, logo cassada pelo Poder Judiciário gaúcho. Diversas ONGs e inclusive o IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil – Seccional RS) apresentaram alternativas. Nada foi ouvido, lido e considerado pelas atuais autoridades.

Na rua Anita Garibaldi, para a construção de uma passagem de nível sob uma grande avenida (também obra da Copa) foram removidas 60 árvores.

 

O PRESENTE AINDA NOS ENVERGONHA GARANTINDO QUE O FUTURO SERÁ PIOR

Não bastasse isso, outra obra prevista pela Copa, vai derrubar 1.500 (mil e quinhentas) árvores na Av. Tronco.

Para nos deixar mais abismados ainda, Luiz Pinheiro, nessepost no Facebook, mostra uma alarmante destruição dos jacarandás que adornavam a Av. Osvaldo Aranha. Algo sem explicação até agora!

Para terminar, diversas árvores do Parque Farroupilha, a Redenção, apareceram marcadas com a letra “C”. Ninguém ainda descobriu a origem e o motivo das marcas. A prefeitura nega que as tenha marcado, como um aviso de “Cortar”. O certo é que a prefeitura “vendeu” o auditório Araújo Vianna para exploração pela iniciativa privada (que inclusive já o cercou, impedindo o acesso público ao seu entorno) e que há sérios problemas de estacionamento em dias de espetáculos. Corre o boato de que derrubarão as árvores para abrir espaço para estacionamento.

Já ia esquecendo: com foi construído um shopping center que margeia a rua Gonçalo de Carvalho, não fosse a manifestação dos moradores e de quase todos os habitantes de Porto Alegre, não teríamos mais a rua mais bonita do mundo, pois a prefeitura havia autorizado a derrubada de árvores no terreno do shopping para fazer um estacionamento, o que traria imediatamente a morte das árvores da rua.

O VINGADOR DO FUTURO

Como a atual administração de Porto Alegre não pode realizar a ficção de retornar ao passado para liquidar a origem daquilo que considera o mal que vive hoje (as árvores e, quiçá o Eng. Carlos), usa e abusa de autoritarismo para simplesmente acabar com a cobertura vegetal da cidade.

Voltamos ao passado, mas não ao passado que nos serviu de exemplo! Voltamos ao negro passado da calada da noite! Ao passado da troca de árvores por automóveis.

A um passado que nos envergonha!